Terminada a apuração do 1º turno das eleições de 2014 das urnas emerge um cenário onde o PT alcança um número menor de votos para presidente do que inicialmente esperado e o PSDB, com Aécio Neves, virtualmente renasce e consegue ocupar o segundo lugar que antes cabia a Marina Silva. Marina Silva, alçada ao estrelato após a morte de Eduardo Campos, termina a disputa em terceiro lugar, com 22 milhões de votos. A candidata não se consolidou como alternativa viável e representou 21,32% do eleitorado (em 2010, também na terceira posição, havia arrebanhado cerca de 20 milhões, 19,33%). Logo, demonstram os números, Marina Silva continua onde sempre esteve, na posição de liderança carismática – no seu caso melhor dizer messiânica – e isolada de partidos em uma trajetória marcadamente pessoal.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Algumas surpresas e a caça ao PT
Terminada a apuração do 1º turno das eleições de 2014 das urnas emerge um cenário onde o PT alcança um número menor de votos para presidente do que inicialmente esperado e o PSDB, com Aécio Neves, virtualmente renasce e consegue ocupar o segundo lugar que antes cabia a Marina Silva. Marina Silva, alçada ao estrelato após a morte de Eduardo Campos, termina a disputa em terceiro lugar, com 22 milhões de votos. A candidata não se consolidou como alternativa viável e representou 21,32% do eleitorado (em 2010, também na terceira posição, havia arrebanhado cerca de 20 milhões, 19,33%). Logo, demonstram os números, Marina Silva continua onde sempre esteve, na posição de liderança carismática – no seu caso melhor dizer messiânica – e isolada de partidos em uma trajetória marcadamente pessoal.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Uma decisão judicial infame
Com uma penada, a
Justiça de São Paulo colocou em risco dois direitos fundamentais
para a vida em um Estado democrático de Direito: o de informar
corretamente e o de ser bem informado.
Foi esse o sentido do
acórdão votado por unanimidade no Tribunal de Justiça de São
Paulo, que atribui culpa "exclusivamente" ao repórter
fotográfico Alex Silveira por ele ter levado um tiro de bala de
borracha no olho esquerdo enquanto registrava um protesto de
servidores na avenida Paulista, em 2000. Disparado pela Tropa de
Choque da Polícia Militar, o projétil deixou o fotógrafo cego de
uma vista.
domingo, 14 de setembro de 2014
Padaria do sec. XIX funciona no centro
Dentre os lugares interessantes para se conhecer, em São Paulo, está a padaria Santa Tereza, fundada em 1872, ela está até hoje bem atrás da igreja da Sé, na praça João Mendes, 150. Hoje sua instalação está bastante modernizada, mas ainda guarda algumas lembranças do passado, como algumas fotos nas paredes e este painel de azulejos pintados reproduzindo a cidade na década de 50/60. Estes painéis eram bastante comuns antigamente e ainda restam alguns pelo centro.
A padaria é famosa pela coxa creme (feita com a coxa completa do frango, sem desfiar) e pela canja de galinha.
sábado, 30 de agosto de 2014
Tudo saiu errado para Marina mas parece que deu certo
A morte de Eduardo Campos em um trágico acidente aéreo ocorrido em 13 de agosto de 2014 abriu caminho para a volta de Marina Silva ao centro do debate político. Ocupando o cargo de vice-presidente na chapa do PSB, com o falecimento do titular coube a ela assumir o posto para, em seguida, alterar o quadro eleitoral que caminhava para a cristalização da disputa entre PT e PSDB, repetindo os últimos embates eleitorais.
domingo, 17 de agosto de 2014
A reeleição de Dilma e a militância conservadora
No fim do mês de julho de 2014 o banco Santander enviou para seus
clientes com maior renda, junto com o extrato bancário, um texto
abertamente crítico ao governo federal do Partido dos Trabalhadores
- PT. Travestido de análise econômica a avaliação, para usar um
termo de mercado, possuía um claro “viés de oposição”.
Exatamente no momento em que a campanha eleitoral tem início. A nota afirma que se a presidente Dilma Roussef estabilizar ou
voltar a subir nas pesquisas caminharemos para o abismo. “O câmbio
voltará a se desvalorizar, juros longos retornariam alta e o índice
da Bovespa cairia”.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Foi pior, muito pior, do que 1950
A derrota sofrida pela
seleção brasileira de 7 a 1 contra a Alemanha pela Copa do Mundo de
2014 em 8 de julho foi uma tragédia muito maior do que aquela
ocorrida em 1950 quando perdemos de 2 x 1 do Uruguai em pleno
Maracanã. Mas não é propriamente pelo resultado que a situação é
mais assustadora hoje. Em 1950 a derrota foi um triste episódio no
processo de desenvolvimento do futebol brasileiro que viria a se
tornar a maior potência futebolística do mundo. Agora, a situação
é diferente, parece ser a comprovação de um duro processo de
decadência.
Em 1950 a Europa pós
guerra ainda se encontrava em processo de reconstrução e a
realização de uma nova Copa do Mundo teria que ser feita fora do
velho continente - a anterior havia sido realizada em 1938 na França.
A escolha do Brasil não deixou de ser um reconhecimento do seu
protagonismo neste esporte. Vice campeão em 50, o Brasil foi
vencedor do Pan-Americano dois anos depois (o primeiro título
internacional do futebol brasileiro); em 1954 o país foi eliminado
nas quartas de final pela vice campeã Hungria de Puskas por 4 x 2
para ser campeão em 1958 e bi campeão em 1962. Houve um vexame em
1966 com a eliminação ainda na primeira fase causada, segundo
jornalistas esportivos, por problemas na preparação da seleção
para, em 1970, atingir a consagração no México com a conquista do
tri campeonato.
Mas os anos 70 ficaram
marcados por novas derrotas, pela desorganização dos campeonatos
locais e pela ingerência do governo militar nas estruturas do
esporte mais popular do país. Os anos de 1980, em pleno processo de
abertura política, começam com a Copa da Espanha (1982) e o chamado
“futebol-arte” de Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e outros que,
apesar da derrota sofrida contra a Itália (3 x 2), encantaram o
mundo e deram início a fase de exportação maciça de craques para
o futebol mundial, principalmente europeu.
O Brasil só seria
vencedor novamente em 1994, nos EUA, decidindo o título nos pênaltis
e em 2002, cujos jogos foram realizados no Japão e na Coreia. As
seleções desta época apresentaram nomes mundialmente famosos como
Roberto Carlos, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Romário, entre outras
estrelas que brilhavam em campeonatos pelo mundo afora.
Apesar de ter sofrido
derrotas dramáticas neste intervalo, como contra a França em 1998
(3 x 0), nenhuma delas adquiriu a dimensão do fracasso atual. Estas
derrotas eram vistas como batalhas épicas onde o futebol brasileiro
havia sido derrotado por oponentes que souberam se aproveitar de
circunstâncias propícias, o que não diminuía a dimensão do
futebol brasileiro, aliás, engrandeciam mais os vencedores.
Se havia sucesso e
reconhecimento mundial, internamente, a situação era diferente.
Enquanto o nível do futebol praticado em outros países evoluía,
transformando antigos “pernas de pau” em equipes competitivas, o
Brasil permanecia estacionado em sua glória.
Os campeonatos
realizados por aqui naufragavam em jogos sofríveis enquanto
empresários enriqueciam negociando jogadores com o exterior. Os
melhores atletas de futebol do planeta eram brasileiros mas
absolutamente nenhum deles permaneciam muito tempo em clubes
brasileiros, todos partiam em busca do dinheiro que a
economia-futebol do país da bola não podia lhes oferecer.
O resultado foi a
mercantilização do esporte, esvaziamento dos estádios,
enfraquecimento dos clubes, atraso na parte tática e preparação
técnica, a perda de receitas, enfim, o início da decadência do
melhor futebol do mundo.
Ironicamente, em uma
Copa onde havia, por parte de muitos, o temor de que a desorganização
desse o tom (pelo contrário, o campeonato só tem recebido
elogios), o maior problema acabou sendo o nosso futebol.
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Se quiser conhecer a
opinião de alguns jornalistas esportivos e ex jogadores sobre a
derrota contra a Alemanha lei AQUI.
terça-feira, 1 de julho de 2014
A Copa das surpresas
As avaliações sobre a Copa do Mundo 2014 eram bastante
divergentes. A presidente Dilma Roussef e seus apoiadores diziam que
esta seria a “Copa das Copas”; para os oposicionistas seria o
prenúncio do caos e de um vexame internacional; para setores
radicias do movimento social a coisa era colocada nos termos do grito
de guerra “não vai ter Copa”. Aparentemente só sobrava de
positivo o favoritismo da seleção canarinho – o que era
reconhecido pelas bolsas de apostas mundo afora.
Aliás, a julgar pelo artigo de César Felício (Brasil na Copa:
welcome to the jungle – Valor Econômico pág. A9, 12 de junho de
2014) o clima de pessimismo era geral. No texto o jornalista relata
encontro da presidente Dilma com correspondentes estrangeiros,
ocorrido em 3 de junho: “Mas dos 21 meios de comunicação que
escreveram sobre o país nos últimos dias, mesmo depois do exercício
de sedução de Dilma, 19 publicaram análises negativas”.
Para explicar esta visão o ex-presidente Lula advoga a tese de
que o oposicionismo da imprensa brasileira contaminou a estrangeira.
Em almoço realizado em 24 de julho em São Paulo com empresários e
diplomatas do exterior, Lula afirmou que “Quando eu ganhei as
eleições, as pessoas levantavam muita dúvida se o Lula ia ter
condições de governar o país. É a mesma coisa com relação à
Copa. Agora eu tenho recebido notícias de que os mesmos jornais, os
mesmos estrangeiros que diziam que a Copa não ia acontecer, agora
estão se rendendo.” (Valor Econômico pág. A11, 25 de junho).
Por tudo isto, o Mundial começou sob tensão. Mas, iniciada as
partidas, a coisa foi se reconfigurando, as boas notícias aparecendo
e surpreendendo.
Uma delas aconteceu no setor de turismo. O Boletim de Desempenho
Econômico do Turismo, apresenta pesquisa feita pelo Ministério do
Turismo e pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, que relata
crescimento de 7,1% no trimestre (janeiro/março) em comparação ao
mesmo período do ano passado, um crescimento muito acima das mais
otimistas perspectivas para o PIB. Este incremento é avaliado pelos
empresários do setor como resultado da Copa, mesmo antes do evento
ter se iniciado.
Nas redes sociais a repercussão é impressionante. Segundo o
jornal Propaganda e Marketing (30 de junho) o Google registrou até
27 de junho cerca de 1,2 bilhão de buscas com a palavra Copa; o
twitter registrou mais de 300 milhões de tweets comentando o mundial
em duas semanas de jogos (o dobro do registrado nos Jogos Olímpicos
de 2012) e o Facebook anunciou que este é o evento mais popular da
história. Também foi noticiado que audiência da partida entre EUA
e Portugal foi maior do que a final da NBA (basquete) MLB (basebol).
Dentro do campo o sucesso também é inegável. As partidas estão
empolgantes e os resultados surpreenderam com a grande quantidade de
gols. Países sem grande tradição no esporte surpreenderam e alguns
tradicionais decepcionaram. A Espanha que o diga.
Infelizmente, uma surpresa negativa foi a instabilidade da seleção
brasileira em sua própria casa, o que tem trazido apreensão à
torcida. Definitivamente esta é a Copa das surpresas.
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